quinta-feira, 30 de maio de 2013

Fernão Lopes: o contador de histórias.


"Fernão Lopes procura os fatos mais essenciais e faz reviver a história, mas, embora constantemente fascine o leitor, não faz omissões conscientes de factos que devam ser conhecidos. É um feiticeiro que obriga o leitor a aceitar todas estas interpolações entre aspas e a deleitar-se e consentir nos seus conhecimentos graciosamente expressos."




Fernão Lopes, nascido por volta de 1380, foi escrivão de D. Duarte e deu início à série de cronistas do reino. Sua obra compõe-se da Crônica de D. Pedro, da Crônica de D. Fernando e da Crônica de D. João (1ª e 2ª partes). A  história ficcional de Fernão Lopes marca uma ruptura com a tradição medieval, as crônicas formam uma trilogia e obedecem, portanto, a um “plano geral” o que coloca esse cronista  em uma posição soberana como historiador, pensador e escritor e atribui uma decisiva intencionalidade a toda essa escrita. Fernão Lopes era um cronista medieval; era, pois, um compilador que ordenava cronologicamente realizando construções profundamente narrativas, isso permite pensar que ele não só relatava a vida dos reis de Portugal como também, ao fazer registro dos fatos em ordem cronológica, organizava elementos decisivos para a história de seu país. E, assim, o texto de Fernão Lopes transforma-se de pluralidade de retalhos em uma unidade bastante significativa, pois, na primeira crônica, temos indícios do que aconteceria na terceira. Desse modo, dados do passado corroboram o que acontece no futuro, com uma espécie de uso retrospectivo de profecia para que fatos da história de Portugal sejam justificados tal como futuramente aconteceria em alguns romances românticos. A construção da personalidade dos três reis, por Fernão Lopes, instituiu que os monarcas fossem vistos como símbolos e figuras de um poder que se sobrepunha a todos os outros. Já o povo, a “arraya meuda”, é apresentado por Fernão Lopes como protagonista da história, o que consiste num dos mais flagrantes traços de originalidade de sua obra. Na Crônica de D. João I, por exemplo,  o povo elege o seu rei, o Mestre de Avis, como se fosse o guardião, ou melhor, quem dava voz à vontade divina. Fernão Lopes tratava de, antes de principiar a história do reinado, demonstrar a legitimidade de uma eleição régia que não foi determinada pelo direito de sangue, mas pela vontade da população (povo, burguesia e pequena parte da nobreza). Como cronista/historiador, Fernão Lopes baseia-se nos fatos e documentos, mas, como bom contador de história que, também, era, criticava dados históricos e fontes aproximando-se, assim,  da crítica histórica do século XIX. Fernão Lopes interpreta a história por meio de sua experiência social, como afirma Teresa Amado: "Uma série de circunstâncias felizes fizeram com que Fernão Lopes não estivesse sujeito a tais limitações. Não era membro puro de nenhum grupo. De origem pequeno-burguesa, ao que tudo indica, ganhou pelas exigências da sua profissão e pelas suas próprias qualidades intelectuais, acesso ao convívio com pessoas e objetos que social e culturalmente estavam muito acima do horizonte que seu nascimento teria permitido antever. (1997, p. 25)".  Fernão Lopes, ao escrever crônicas embasadas na história, torna esse saber uma ciência auxiliar ao exercício da soberania monárquica, o que o faz ser louvado como um marco inaugural da historiografia e da prosa literária portuguesa.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Antes dos mouros...antes até da saudade que viajou além mar.


Se hoje o fator religioso é percebido como algo estranho à vida, para o homem medieval a esfera do sagrado era reconhecida, presente e encarnada nas contingências da vida quotidiana.

"Uma das principais características da Idade Média é sua intensa religiosidade, se hoje o fator religioso é percebido como algo estranho à vida, para o homem medieval a esfera do sagrado era reconhecida, presente e encarnada nas contingências da vida quotidiana. Congregados pelo irresistível apelo da religião, homens e mulheres de todas as regiões da Europa adquiriram a consciência de formar um povo único, uma entidade que pretendia espelhar e prefigurar a ordem celeste: a Cristandade, cada um, trabalhando ao longo de sua existência, tinha a certeza de colaborar numa grande obra que o ultrapassava, contribuindo com sua pequena pedra para levantar a catedral. A extraordinária capacidade que os homens da Idade Média tinham de pensar e agir em conjunto deve-se, portanto, ao fato de que o sentido da transcendência arrancava o indivíduo da sua condição particular para impulsioná-lo rumo a um ideal absoluto, tal como uma terra santa a ser libertada, uma igreja a ser construída, ou então, com obstinada candura, um herege a ser queimado vivo"



domingo, 28 de abril de 2013

Desde a Idade Média, sempre houve a tendência de se criticar a realidade e a sociedade da época.


As cantigas de escárnio caracterizam-se como sátiras sociais ou individuais. Nestas cantigas a sátira é indireta, realizada por meio de uma linguagem ambígua, repleta de zombaria e sarcasmo. Apesar de a pessoa criticada na cantiga não ser nomeada, é possível identificá-la com facilidade por conta dos elementos da sociedade que são retratados na obra poética. Temas como a covardia, traições, homossexualismo e adultério eram muito comuns nas cantigas satíricas. As  cantigas de escárnio e maldizer terminam por se 
debruçar sobre a realidade da vida, expondo as condições de vida e o pensamento do homem medieval. A sátira trovadoresca sofreu grande influência do sirventês, gênero medieval de caráter satírico que tem as suas origens na Provença, no século XII. Dentro deste tipo de cantiga, destacam-se três modalidades: o sirventês moral (que reflete sobre a decadência da sociedade da época), político (uma reflexão sobre a realidade política da época) e o sirventês pessoal (caracterizado por atacar a vida pessoal ou profissional de uma determinada figura). As cantigas satíricas costumam seguir determinadas características das cantigas 
líricas, apesar da liberdade formal ser maior. Observa-se que normalmente há a repetição do refrão após o final das estrofes. Esta repetição conduz à musicalidade das cantigas.

http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/anagrama/article/viewFile/7435/6824

D. Sancho II.


Foi rei da Primeira Dinastia e o quarto Rei de Portugal, filho de Afonso II, rei de Portugal e de Dulce, rainha de Portugal, que nasceu em Coimbra a 07 de Setembro de 1209 e morreu em Toledo a 04 de Janeiro de 1248, e está sepultado em Toledo na Catedral de Toledo, casou com Mécia.
Começou a governar em 1223 e terminou em 1248, Dom Sancho II tinha treze anos apenas quando subiu ao trono. Não lhe era fácil portanto fazer valer a sua autoridade em todo o reino, pois os grandes senhores do clero e da nobreza recusavam essa autoridade e consideravam que nas suas terras só eles próprios deviam mandar.
Adolescente e inseguro, não sabia a quem dar razão nem como impedir que os opositores começassem a matar-se uns aos outros, tal como era costume na época, os grupos em confronto trataram de enviar mensageiros a Roma com a incumbência de exporem a causa e pedirem apoio ao papa. Isto de nada serviu e o problema ficou por resolver.
Como o rei não conseguia impor a ordem, as brigas tornaram-se cada vez mais violentas e perderam o significado político. Bandos enfurecidos saqueavam igrejas, conventos, castelos, quintas, para roubarem tudo o que aí houvesse de valor. Raptavam mulheres e crianças a fim de exigirem resgate, matavam quem se lhes atravessasse no caminho.
Uma autêntica onda de loucura varreu o país. Durante algum tempo imperou a lei do mais forte. Todavia em 1244 vários elementos da nobreza, do clero e do povo decidiram recorrer de novo ao papa, e este decidiu que Dom Afonso, irmão de Dom Sancho II, deveria assumir o governo de Portugal, mas o rei continuaria a ser Dom Sancho II. Dom Afonso aceitou ser apenas “Governador e Defensor” do país enquanto o irmão fosse vivo, mas depois queria subir ao trono.
Isso só era possível se Dom Sancho II e Dona Mécia não tivessem filhos. Então Dom Afonso lembrou ao papa que eles eram primos e que tinham casado sem pedir a licença da Igreja, como era costume. O papa considerou o casamento nulo e ordenou que o rei e a rainha passassem a viver separados. Dom Sancho II reagiu muito mal tanto à nomeação do irmão como ao fato de lhe tirarem a mulher.
Instalou-se em Coimbra e dali procurou arranjar aliados para enfrentar o irmão, que entretanto desembarcara em Lisboa. Os opositores de Dom Sancho II não conseguiram vencê-lo pela força tão depressa como pretendiam. Decidiram então humilhá-lo e desacreditá-lo aos olhos de quem o apoiava, raptando-lhe a mulher. E o levaram-na para o castelo de Ourém, que pertencia à própria rainha. O rei perseguiu-os mas não conseguiu alcançá-los no caminho.
Quando chegou às portas do castelo exigiu que lhe devolvessem a mulher. Em vez de lhe obedecerem, correram-no à pedrada. Este rude golpe terá diminuído muito o rei aos olhos dos súbditos. O rei ainda tentou lutar mas, vendo que não conseguia vencer, acabou por desistir e retirou-se para Toledo. Nessa altura Dom Afonso assumiu plenamente o cargo de “Governador e Defensor do Reino”.

sábado, 6 de abril de 2013

Artistas.







Trovador
Era o poeta, quase sempre um nobre, que compunha sem preocupações financeiras.

Jogral
Chama-se o bobo da Corte, o mímico , o bailarino e as vezes também compunha.

Segrel
O trovador profissional, um andarilho.

Menestrel
O músico.

Soldadeira ou jogralesa
Moça que dançava, cantava e tocava castanholas ou pandeiro.

origens...